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::Campanha da Fraternidade 2010
Economia e Vida
Publicado em: 12.04.2010 às 16:09:28

"Não podeis servir a Deus e ao dinheiro!"

Economia e vida

 

A Campanha da Fraternidade é promovida todos os anos no Brasil pela Igreja Católica durante a Quaresma, período de 40 dias de preparação para a Páscoa; .

O tema - economia e vida - aborda a questão crucial das atividades econômicas, pelas quais passa a construção da cultura da solidariedade.

Não é intenção nem competência da Campanha da Fraternidade debater teorias e técnicas de gestão econômica; ela propõe uma reflexão sobre aquilo que move, ou que deveria mover a economia: o serviço à vida.

A questão é atual e não interessa apenas aos teóricos de sistemas econômicos e seus estudiosos, nem somente aos gestores das políticas econômicas ou administrativas:

Toda pessoa é um agente econômico, quando trabalha, produz, consome,  investe, ganha, compra, vende, gasta.

 A questão de fundo, posta pela Campanha da Fraternidade, é ética e pode ser traduzida nesta pergunta: A economia está a serviço da vida, ou da morte?

Em 2009, Bento XVI levantava esta mesma questão quando reflete na carta   (A caridade na verdade),  sobre o desenvolvimento dos povos no contexto do mundo atual, sobretudo tendo em vista a recente crise econômica e financeira.

O grande Papa Paulo VI, na famosa carta (O desenvolvimento dos povos), já havia insistido que o desenvolvimento, para ser verdadeiro, deve ser integral e precisa beneficiar todas as pessoas e a pessoa inteira, em todas as suas dimensões.

 Mais de 40 anos depois, quando a humanidade alcançou um alto grau de globalização, podemos constatar que  estamos longe de alcançar este ideal; apesar de todos os avanços científicos e tecnológicos, ainda existem camadas sociais e povos inteiros vivendo na miséria, atingidos pela fome, doenças endêmicas e pelo analfabetismo.

Hoje o número dos deserdados do progresso é bem maior do que nos anos sessenta.

Aquilo que o papa observa, também nós podemos constatar:

 A globalização dos mercados, dos sistemas financeiros e das comunicações sociais aproxima-nos cada vez mais, mas não nos faz mais irmãos

Por que acontece isso? Teoricamente, todos podem  ter acesso às mesmas oportunidades e tecnologias; todos estão envolvidos pela mesma onda globalizante, mas alguns permanecem  na miséria e outros se projetam para posições privilegiadas, inatingíveis para o comum dos mortais.

Por qual motivo o progresso tecnológico não realiza, por si só, o bem comum de todos? Seriam as profundas desigualdades sociais e econômicas reinantes no mundo uma fatalidade insuperável?

A hipótese da desigualdade social e econômica insuperável não pode ser aceita.

 Uma sociedade de classes estratificadas e impermeáveis seria aberrante, um verdadeiro choque para a consciência.

 Da mesma forma, é inaceitável a hipótese de uma sociedade igualitária imposta pela força, mediante o cerceamento da liberdade pessoal.

Experiências históricas recentes mostraram que o igualitarismo forçado fere a dignidade humana, impõe a todos o paternalismo de Estado e se torna causa de apatia geral, inibindo o dinamismo criativo das pessoas.

Mas, certamente, existe a possibilidade de desenvolver relações econômicas entre pessoas, sociedades e países, que se orientem pelo respeito à vida e  por critérios de verdadeira justiça e pelo respeito à natureza, de cujos recursos dependem a maioria das iniciativas econômicas.

A Campanha da Fraternidade lembra um princípio que nunca deveria ser esquecido: a pessoa e a promoção do bem comum têm a primazia sobre o lucro e o acúmulo individualista e devem, por isso, estar no centro de toda atividade econômica.

Vale uma verdadeira inversão de posições: Não é a pessoa que está a serviço da economia mas, ao contrário, a economia  deve estar a serviço da pessoa.

 O ser humano é o valor maior e sempre deve ocupar o primeiro lugar.

 O dinheiro e o lucro são necessários e, em si, não são um mal, mas o uso que deles se faz pode ser distorcido.

O  papa Bento XVI, na encíclica já citada acima, recorda-nos que o lucro não deve ser o objetivo supremo e último da atividade econômica, mas um meio orientado para um fim, isto é, para a promoção do bem comum. O lucro, visado como fim exclusivo, pode destruir a riqueza e criar a pobreza .

Uma economia a serviço da vida, portanto, deverá integrar a ética da solidariedade e da responsabilidade social: não pode ser bom, do ponto de vista ético, algo que seja vantajoso para mim, mas traga prejuízo aos outros.

 Os “outros”, neste caso, são todos os atuais ocupantes do nosso planeta, mas também as gerações que ainda virão depois de nós; ficaria mal deixar-lhes apenas os ossos do banquete da vida..

Firme na fé e fiquem com Deus.

 

 
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