Animação bíblica da vida e da pastoral

Mês da Bíblia

Animação bíblica da vida e da pastoral

Todo católico sabe que setembro é o mês dedicado à Bíblia. Sabe por quê? É porque no dia 30 de setembro se celebra a memória de São Jerônimo, o grande tradutor da Bíblia. No ano 382, o então Pe. Jerônimo foi chamado pelo Papa Dâmaso para ser seu secretário particular. Já em Roma, recebeu a incumbência de traduzir a Bíblia do grego e do hebraico, para o latim. Neste trabalho, ele dedicou quase toda sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia, em latim, se chamou “Vulgata” e se tornou oficial no Concílio de Trento (1563). Desde 1947 a Igreja Católica, no Brasil, celebra 30 de setembro, como o dia da Bíblia.

A celebração do mês da Bíblia teve início, em 1971, em Belo Horizonte (MG).  A partir daí a ação espalhou-se por todo o Brasil, como tempo e espaço privilegiado para se aprofundar e rezar um livro ou tema bíblico. Nos últimos anos o tema e o lema são escolhidos à luz do Documento de Aparecida (2007), pela Comissão Bíblico-Catequética da CNBB e o Serviço de Animação Bíblica (SAB). Para este ano o tema é “Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Primeira Carta aos Tessalonicenses” e o lema “Anunciar o Evangelho e doar a própria vida” (cf. 1Ts 2,8).

Trata-se de uma epístola seguramente escrita por São Paulo, nos anos de 50 e 51d.C., à comunidade cristã de Tessalônica, por ele fundada, ao norte da Grécia. A comunidade ainda não estava organizada e necessitava de incentivo para não desanimar diante das provações. Paulo, estando em Corinto, escreveu a Primeira Carta aos Tessalonicenses para confirmar e exortar a respeito da fé (1Ts 3,2), com o objetivo de os cristãos conservarem a fé operosa, caridade laboriosa e ter esperança constante no Senhor (1,3). Esta carta, afirmam o biblistas, é conhecida como o escrito mais antigo do Novo Testamento.

Nossa Igreja aponta como urgência da sua ação evangelizadora, a animação bíblica da vida e da pastoral (cf. Diretrizes Cap. II). As reflexões deste mês da Bíblia, irão proporcionar às nossas comunidades, pastorais e grupos, um encontro pessoal e comunitário com a Palavra, a partir da Primeira Carta aos Tessalonicenses. Esta nos ensina que a identidade cristã é revelada a partir da fé, da esperança e do amor, virtudes que sustentam a vida pessoal e da comunidade (1Ts 1,2-10); aborda a edificação do trabalho como dignidade para a vida (4,9-12) quando  o apóstolo evidencia a importância do sustento humano proveniente das próprias mãos, realizado com honestidade, evitando a ociosidade desnecessária; fala da vinda do Senhor e da fé na ressurreição, elementos que revelam a esperança cristã (4,13–5,11); Por fim, retrata a comunidade cristã, vivida na alegria, em oração e no discernimento (5,12-22). Vamos começar pela leitura e meditação deste texto inspirador do mês da Bíblia: 1Ts 2,3-8

3 Pois a nossa exortação não vinha de ilusão ou más intenções, nem acompanhada de astúcia. 4 Mas Deus nos examinou e aprovou para nos confiar o Evangelho, e é assim que falamos, não para agradar os seres humanos, mas a Deus, que examina os nossos corações. 5 Aliás, sabeis muito bem que nunca bajulamos ninguém, nem fomos movidos por alguma ambição disfarçada – Deus é testemunha. 6 Também não buscamos a glória humana, nem junto de vós nem junto de outros, 7 embora, como apóstolos de Cristo, pudéssemos fazer valer a nossa autoridade. Entretanto, nos tornamos pequenos no meio de vós. Imaginai uma mãe acalentando os seus filhinhos, 8 assim a nossa afeição por vós. Estávamos dispostos, não só a comunicar-vos o evangelho de Deus, mas a dar-vos a nossa própria vida, tão caros vos tínheis tornado a nós!

Desejo que a celebração do mês da Bíblia nos proporcione fé operante, caridade laboriosa e esperança constante em nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1,3). “Para que todos tenham vida” (Jo 10,10).